Jóia escondida
O ano era 1972, fui até a Panambra, revendedor Volkswagen de Porto Alegre falar com o meu amigo Vedana. Vedana trabalhava na revenda e era o responsável por auxiliar os proprietários na regularização junto ao Detran - emplacamento - dos carros zero quilômetro vendidos na loja. Além de que era um entusiasta dos fuscas, proprietário de um 1970 modificado, com motor de 2 litros, dupla carburação dupla Weber, virabrequim roletado, caixa de marchas especial. Muitas vezes acompanhei “pegas” - disputa de arrancadas - entre o super fusca de Vedana e outros carros com motores muito maiores, Opalas com motores de 3,8 litros, Mavericks com 4,0 litros, ninguém era páreo para o super-fusca.
Ele guardava o monstro na oficina da Panambra, que ficava atrás da revenda, e eu não perdia uma chance de dar um conferida na fera. Numa dessas visitas Vedana perguntou-se se eu não estava com vontade de trocar de fusca, embora estivesse com meu 64 inteiraço, ele tinha na oficina um 1967 azul, com apenas 1.000 km rodados! O carro tinha uma história triste, o dono havia adquirido o carro e falecido num acidente com o mesmo. O carro foi recuperado na oficina da autorizada e nunca mais reclamado pelos proprietários.
Consegui descobrir onde moravam os proprietários do carro e fechar negócio. Troquei meu impecável 64 por um 67 ainda mais impecável, com cheiro de novo! O carro me acompanhou até 1974, ano em que troquei de carro e deixou muita saudade.